terça-feira, 1 de junho de 2010

Futebol coreano

Como todos devem saber, o mundo do futebol envolve muita coisa hoje em dia. Mais do que paixão por uma bola rolando em um espaço coberto de grama. É muito dinheiro. Mas também significa orgulho de uma nação, um povo, uma etnia. E adivinha: obviamente os coreanos não estão fora desse grupo de pessoas que tornaram o futebol a bandeira do orgulho.
Não sei se muita gente se lembra da Copa de 2002, aquela que o Brasil foi campeão em cima da Alemanha. Eu mesmo não me lembro de muita coisa daquele tempo... acho que estou ficando meio caduco, já. Mas para quem coçou a cabeça um pouquinho para revolver os neurônios parados e teve um flash de lembrança daquela época (como se tivesse acontecido há um século atrás), essa imagem deve significar bastante:



(Primeira foto: Estádio de Seul; Segunda foto: uma multidão de olhos puxados na área de Gwanghwamun, Seul, em 2002)

(ABRE PARÊNTESIS)
Eu sei que tem muito tarado que acaba parando aqui no blog. Para estes piroca-aflitas de plantão, loucos por asiáticas e se lembram mais das olhos puxados do que das imagens acima, vai um colírio refrescante para os seus olhos:







(FECHA PARÊNTESIS)

Bem, eu mesmo não me lembro de ver imagens parecidas com essas durante qualquer outra Copa do Mundo ou algo em que um aglomerado de pessoas representasse uma nação ou grupo gigante de pessoas. Tá, no futebol cotidiano a gente vê dentro do estádio, principalmente nos brasileiros. Aqui, eles não costumam lotar estádios por campeonatos locais. Mas quando se está falando da REPÚBLICA DA COREIA, da 대한민국, dos 한국인, aí o bixo pega. Eu até hoje não consegui achar um povo mais nacionalista que o coreano.

(Parece até aquela apresentação norte-coreana ARIRANG, todo mundo em coreografia no estádio! ^^)

 Eu mesmo gosto muito do meu Brasil de merda, mas não tenho orgulho e muito menos sou a pessoa certa para defender a minha pátria amada em qualquer situação. Pelo contrário... se der oportunidade, lá estarei eu para dar uma cutucada no país que eu amo de paixão. Mas a galera daqui.. sai de perto (não literalmente, por favor... espero que você tenha entendido o que eu quis dizer!). Eles têm um sentimento de identidade com o país, o sangue, que é uma loucura. Então qualquer evento em que eles possam representar essa bandeira brancona simbolizando os "corebas", estes estão causando um alvoroço do demônio. Quem aqui na Coreia não se lembra dessas Olimpíadas de Inverno, em Vancouver, Canadá? Era todo santo dia, santa hora, santo minuto passando notícias, replay, re-replay, re-re-replay da Yuna Kim, patinadores de grupo (sim, aquele que foi desclassificado por ter dado um pesão na chinesa), etc.
E, claro... desde o começo do ano os canais de televisão aberta da Coreia têm transmitido com frequência as partidas da seleção coreana. E não é de jogos ao vivo. Os diretores vão lá no baú da emissora e pegam aquelas fitas velhas da Copa de 2002, na "vencedora campanha" dos sul-coreanos na Copa de 2002, quando conseguiram um EXTRAORDINÁRIO (e bem roubado, diga-se de passagem) quatro lugar, sob a tutela do mágico holandês Guus Hiddink. Obviamente, esse momento saudosista não é relembrado à toa pelos manda-chuvas da TV. Eu penso que é para que ascenda ainda mais o sentimento patriótico que o povo coreano parece necessitar. Afinal, como eu já disse milhares de vezes aqui, parece que os corebas se sentem inferiores aos seus vizinhos grandões, achando que não são importantes o bastante para o mundo.
Mas isso é tópico para o próximo post... deixa quieto aê engavetado!
E o pior desse sentimento nacionalista exagerado é ter que assistir esse tipo de coisa:

(A banda coreana que tem que entrar para o Guinness: Super Juniors)

Afinal, SUPER JUNIORS who???
Eu estou para conseguir uma razão melhor para esses k-estrumes terem sido nomeados embaixadores do branding da Coreia pelo mundo. Que porras eles vão oferecer ao mundo, que não as dancinhas robóticas? Poderiam ter arranjado outra personalidade melhor que esses toscos... hahaha!

(Propaganda bem feita para a Copa de 2010 - muito bacanosa!)

Mas os coreanos têm feito grandes coisas pelo mundo, que é o motivo de eu dar uma pincelada sobre o tema da bola. Vários devem saber que a Coreia tem tentado se posicionar como uma potência global no cenário internacional, nas mais diversas áreas. E uma das mais importantes é a de ajuda humanitária. Esses olhos puxados são o segundo país que mais envia voluntários no planeta Terra, atrás somente dos pela-sacos Estados Unidos da América.
E o futebol coreano também abraça essa perspectiva, coisa que até onde eu sei a entidade CBF nem chega muito perto de fazer, até onde eu conheço (sim, eu sei que existem projetos sociais para descoberta de novos talentos e blá, blá, blá... mas nada muito sólido, no meu humilde e totalmente sem fundamento ponto de vista).
Estava eu passando pela área de Sinchon (bairro bacana de Seul) no sábado passado. Olhando pela janela, "meus olhos de águia" capturaram a imagem da loja de marca coreana THE BASIC HOUSE. Estava lá uma propaganda gigante na porta de entrada fazendo o anúncio de um produto (óóóóbvio!): era uma camiseta para que o povo comprasse na época da Copa. Mas não era mais um mercado para empanturrar o dono da marca de dinheiro, e sim um tipo "Criança Esperança", em que se você comprar uma camiseta, parte do valor será doado para a Unicef.

(O baitola e a linda cooperando para o bem da humanidade)

(혼자일땐할수없는.. quer dizer "nunca sozinho", mesmo) 


(Campanha da Basic House em vídeo)


Se tem uma coisa que os coreanos aprenderam com a Guerra da Coreia, é valorizar a ajuda ao próximo. Talvez você tenha conhecido uns coreanos meio cornos na vida, mas a maioria é bem simpática e, apesar do jeitão meio "judeu" (querer ganhar dinheiro em cima de tudo e todos), eles aprenderam bem a lição quando tiveram que dar as mãos (e talvez outras coisas mais) aos os norte-americanos. Acho que desde então, os sul-coreanos têm tido atitudes louváveis como essa. Depois desses atos, eles conseguiram ganhar uns mil pontos comigo... (mas o problema é que sempre acabam voltando ao estado 0, já que fazem cagadas atrás de cagadas e me fazem diminuir os pontos).
Graças a Deus alguém pensa no próximo, porque se for depender de mim, acho que tá todo mundo lascado! Hahaha! Sentiu o compromisso que eu tenho com a sociedade, né... eu sou um cara bem legal, gentil... puderam perceber! =P

(A linda 윤은혜 e o baitola 김현중 suplicando para você comprar a camisa)

Eu achei a iniciativa muito boa, pois aproveita um mercado em grande potencial (pô, quem não vai comprar uma camisa vermelha na época da Copa para torcer para o Park Ji-Sung e seus companheiros Red Devils?) e a possibilidade de ajudar a pessoas que realmente precisam.
Eu mesmo já garanti a minha.


(vários baitolinhas juntos cooperando para o bem da humanidade)

Você, que mora na Coreia e não tem problema em torcer para um bando de pernas-de-pau como o Park Ji-Sung, saia da sua casa e vá na lojinha da Basic House comprar a sua. Faça a sua parte, bruto!

PS1: sim, o tópico foi gigantesco só pra falar de uma camisa. So sorry, galera... da próxima vez vou tentar algo melhor.
PS2: não, a Basic House nem sonha que um "blogueiro famosíssimo" como eu estou fazendo propaganda gratuita para eles.
PS3: sim, estou fazendo um esforço sobre-humano para conseguir tópicos e escrever no blog, afim de recapturar os leitores que me abandonaram. Comentários fazem os blogueiros felizes de vez em quando também, viu! Haha!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Post em Fotos - Parte 1

Galera, estou numa preguiça danada de postar. Tenho prometido mundos e fundos a mim mesmo, tanto que já existem uns três ou quatro tópicos na fila. Porém, não consegui desenvolver nada, ainda. Por conta de preguiça + idas à Seul + vontade de ficar sem fazer nada + sem inspiração + novos projetos na faculdade.

Isso tudo somado resume-se a só uma expressão: "Ah neeeeeeeeeem!"...

E hoje eu estava vendo, no Youtube, o adorável programa do CQC (sim, mesmo à distância eu costumo acompanhar pela internet. Ô coisa linda!) e tive uma idéia. Não tão brilhante, mas continua sendo boa.

Quando eu voltei pra Coreia, comprei um celular de segunda-mão e, claro, um cartão de memória para que eu pudesse tirar fotos com a poderosíssima câmera acoplada de 2.0 megapixels. Como eu não sou que nem o Henrique, um fanático por registrar cada momento de sua vida, eu tento fazê-lo - mas não com a mesma intensidade que o 리키 - com o celular, mesmo.
Então a proposta é falar de fatos, mas de maneira rápida, que se passaram durante todo esse tempo, desde... Março até agora.

Sempre quis falar de carros no blog, até porque eu gosto dessas coisas. Não é um vício, mas eu gosto de ficar olhando. Mas não posso argumentar com muita propriedade sobre o assunto, já que o meu entendimento é um pouco superficial - não entendo BOGAS dessas coisas de motores, cilindros e burucutuzadas.
Sabe-se Coreia do Sul que, lá pelos anos 1960, milhares de chaebols (saiba sobre isso no Wikipedia, por favor...) foram criadas afim de fazer com que a nação saia do buraco. Várias delas são holdings imensas, com ramificações de todos os tipos. Inclusive sobre carros.
A que todo mundo mais deve conhecer é a tal da Hyundai - ou como deveria ser escrito numa romanização um pouco mais normal, Hyeondae. A tal da 현대자동차 (Hyundai Motors) é a mais influente de todas as fábricas de carros coreana. Como li em algum lugar na vasta internet, no começo fazia a coisa manjada que aprenderam com os "amiguinho" japoneses: copiar, fazer uns pedaços de lata se juntarem e... TCHARÃ! Está lá uma chapa em cima de quatro rodas, andando. Na verdade, os caras não tinham nem tecnologia pra isso. Então, faziam acordo com montadoras japonesas, como a Mitsubishi, para fornecimento de motores, e mais tarde, transferência de tecnologia.
Como todo bom judeu, os coreanos só se importavam em fazer números, dinheiro, em vez de pensar em algo a longo prazo. Isto é, faziam umas merdas sem noção que eram motivo de piadas entre "povos mais avançados", como os americanos, que não enguliram nem aquele bom e velho Hyundai Elantra. Os caras tinham uma porrada de gente na diretoria que não entendia absolutamente nada do negócio de engenharia. Não duvido nada que deveriam estar lá só o padrinho, a mãe, o sobrinho, filho, neto e etc do fundador da bagaceira toda.

(Lembra dessa carroça? Era a melhor coisa que conseguiam produzir, até um tempo atrás!)

Mas mesmo assim, com a visão de negócios totalmente distorcida, os coreanos iam tocando a vida - claramente ajudados pelo mega-protecionismo que os governantes da nação fazem desde que eu sou gente.
A vida vai indo, indo, indo, até que uma bomba cai nas mãos dos coreanos: a crise de 1998, que quase implodiu, financeiramente, essa terra cheia de gente de olhos puxados. Como a economia coreana se baseia em expotação, os negócios foram todos pro ralo. Consequentemente, a dos carros também. A Hyundai tomou uma porrada grande, mas não foi suficiente para soterrá-la e mandá-la para o limbo. Ficou que nem lutador de boxe depois de tomar umas trinta bofetadas seguidas na cara, meio tonto... sabe como é?
Para salvar o que restou de outra montadora, a KIA, a Hyundai absorveu a outra e virou Hyundai-KIA. Elas continuam com negócios separados, mas no papel são a mesma empresa.

PS: no Brasil, elas são empresas diferentes, já que antes de a Hyundai comprá-la, ela já existia. E como tinha dívidas bizonhas, a Hyundai não quis arcar com a merda alheia. Então, são empresas diferentes em território tupiniquim.

Daí, parece que o neto do fundador da empresa-mãe resolveu assumir o comando da parada. Mandou todos aqueles parentes para o quinto dos infernos e colocou na diretoria gente que realmente entendi da coisa: engenheiros. Então, foi lá o maluco investir em QUALIDADE, não em QUANTIDADE.
E deu no que deu: a Hyundai hoje está assustando Deus e o mundo... quero dizer, todas as grandes marcas já muito bem instaladas no mundo e ganhando rios de dinheiro (principalmente no Brasil, já que nego vende um Volks Gol por 30 mil reais! Que mundo é esse, meu Deus!).
Obviamente, os caras não cresceram da noite pro dia. Primeiro, investiram em carros competentes, contratando gente que sabe desenhar bem, fazer um carro de ponta, que não quebra a cada arrancada. Segundo, esse preço bacaninha que vocês vêem no Brasil é por conta do subsídio que o governo coreano dá para que as empresas possam exportar. Isto é: com essa facilidade, eles podem vender a preço mais baixo. Com isso, eles podem vender mais e arrecadar mais dinheiro.

Resumindo, os caras viraram os verdadeiros judeus da Ásia: esses coreanos sabem fazer negócio! Putz...

O negócio por aqui é tão chique que coreano troca de carro como se trocasse de roupa.
Um colega coreano do laboratório tinha uma caravana. Meio velhinha, mas tudo bem... afinal, o cara é estudante. Um dia o trosso resolveu a dar uns problemas. O que ele fez: analizou, viu que ia ser um pouco chato para consertar, tomar muito tempo dele. Vendeu a buginganga e comprou um Hyundai i30. Aaaaaah, mole assim? Pois é... esse "lixo de carro econômico" daqui vale pouco mais de 13 mil dólares. Assim até eu compro...

Mas, claro, ainda tem umas bizarrisses como a da foto seguinte, que deve ser da época que os diretores ainda andavam meio devagar e só pensavam em tirar o seu montante ($$$) da empresa

 
 (Hyundai "Bolinha" - nem no Brasil dá pra vender uma merda dessa! Fala sério.. que coisa feia do demônio!)

Logo depois da Hyundai, em a KIA.
Apesar dela ter sido comprada pela Hyundai, as duas competem entre si pela maior parte do comércio de carros da Coreia.
Aí está o novo modelo dos meninos, em primeira mão, que um dia vai sair no Brasil

(Nova geração de um carrinho famoso: o Sportage)

Logo, vem os amiguinhos Samsung-Renault.
Pra você, que achava que faltava algo para a Samsung, agora não vai ter mais dúvidas. Na Coreia, a Samsung está em nome de hotel, privada de banheiro, ruas, estação de metrô, chips, mp3 player, notebook, cimento, engenharia... e agora o que você não sabia: os caras também fazem CARRO! Isso mesmo! Num tempo aí que eu não sei, eles já davam os seus passos, na carona da Hyundai. Mas parece que eles não andavam bem das pernas com tantas crises e a Renault entrou com dinheiro, comprando parte da empresa.
Hoje em dia, ela continua sendo uma empresa estável, com muito capital coreano.. mas que também vende modelos da Renault.

Também existe a não tão famosa assim Ssangyoung (쌍용자동차).
Como todas as outras, passou por umas tempestades, foi bastante sacaneada pelea Crise de 1998. Por causa disso, veio o capital chinês e PIMBA, comprou 51% das ações da parte de carros (porque na verdade, a Ssangyoung também é uma chaebol das GRANDES). Tudo estava bem, aparentemente... e como tudo acontece tão de repente, veio a diretoria e anunciou que a empresa QUEBROU em 2009. Simples assim. Pediu, na Suprema Corte de Seul, aquele famoso pedido anti-quebra total que muitas grandes empresas fazem para ter uma sobrevida no mundo corporativo. No ano passado, teve um rombo (isto quer dizer, saldo negativo) de 200 e tantos milhões de dólares. Esse ano foram "só" 20 milhões! hahaha! Parece até piada, mas o governo ainda continua mantendo para que não haja um colapso na economia. Já rolou greve, ateamento de fogos, paralização e um bando de coisa: realmente, coreano sabe como fazer uma farra! Hehe.

 (Um Ssangyoung meio das antigas...)

Mas hoje em dia, carro é carro... tudo na mesma. O importante é saber que eles estão fazendo bem feito e bem barato.

(As três marcas "em ação": Samsung-Renault, KIA e Hyundai)

Bom para nós!

sábado, 1 de maio de 2010

A Coreia e o dilema dos velhinhos

Juro que eu tenho tentado postar por aqui, mas a preguiça e alguns afazeres universitários (mentiroooooooso!) têm me impedido de pousar por este recinto e dar o ar da graça para os POUCOS leitores que me restaram, já que eu tenho deixado esse blog com várias teias de aranha.
Mas agora vai... e vou tentar postar mais frequentemente! Mas não vão muito por mim não, porque da última vez que prometi algo, não foi exatamente daquela maneira que aconteceu... então, promesa de político nem sempre (ou quase nunca) é válida! =(

Por vários anos as pessoas que assistem o mínimo de televisão têm percebido que quanto mais o país se desenvolve (com algumas poucas excessões), este piora nos campos sociais e, talve quem sabe, econômicos.
No Japão, por exemplo, têm a menor taxa de natalidade do mundo. No meu (portanto, sem nenhuma avaliação e prova científicas) ponto de vista, isto ocorre por conta da situação econômica. Mas daí você corre até a parte dos comentários e me destrói, falando que países como EUA não têm recessão númerica de sua população e que eu estaria errado. Mas os yankees são a excessão da excessão, então não me venha com essa historinha... até porque eles são alvo de migração constante, o que impede que o baixo indíce de fertilidade aconteça como na Europa e Oriente.
Alguns exemplos europeus, para não perder a viagem, são Itália e Alemanha. Tá bom, o primeiro está meio decadente economicamente, mas não deixa de ser uma potência da União Européia. Mas estão aí dois países de grande importância, porém fadados a velhice.. dependem dos gringos latinos, que só sabem fazer filho! Haha!
Aí é que entra no assunto a pacatíssima cidade de Cheonan, onde eu resido neste momento. Eu tenho observado que a Coreia também não é aquele antro de nascimentos, com pirralhos de um lado pra cá em todas as partes do país. No meu modo de pensar, vários fatores estão contribuindo para o menor número de pirralhos na península: globalização, competição por trabalho, altos valores direcionados para a educação, feminismo. Hoje, eu vejo que as meninas coreanas estão muito preocupadas com trabalho, competir de igual pra igual com o homem. Antes, isso era impensável. Até hoje isso continua, tanto que o percentual de mulheres no comando de uma empresa na Coreia é ínfimo (eu vi um rolo aí sobre os valores em algum lugar nessa linda internet)... fora que os tempos mudaram por aqui. Antes, assim como no Brasil, as mulheres eram donas de casa. Hoje, elas também tem que "capinar", assim como o homem.
Outra coisa que tem tirado da mulher a atenção de uma tarefa bastante importante no ciclo da vida (bem "Rei Leão" mesmo; o ciclo de vida da mulher seria a reprodução - e nós, homens, meros coadjuvantes nesta tarefa, como diria o pessoal do Pânico) é o custo de vida pra criar um filho aqui na terra de gente de olho puxado. Só pra se ter noção, o molequinho têm que ter todo tipo de aula nessa vida: piano, violão, escola normal, inglês além de milhões de hagwons de reforço escolar. Aliás, as hagwons não são para a garotada que não andou prestando atenção na aula e agora não consegue absorver o conteúdo, mas simplesmente para que os "miúdos" fiquem ainda mais pirados e bitolados. É a única explicação plausível para este tipo de comportamento paterno. E se os pais não seguem todas essas tarefas a risca, são tidos como pais meia-boca, que não criaram direito os filhotes. Então, vários coreanos já nem consideram a idéia de filhos. Outros, nem consideram a idéia de casar-se. Mas, obviamente, que isso não conta os que se "refugiam" em outro país para que os filhos tenham uma educação melhor, mais barata e menos bitolada que na Coreia.

Ok, vamos chegar logo no ponto que eu quero: a Coreia está simplesmente infestada de velhinhos! A cada vez que eu pego ônibus público aqui em Cheonan, rumo a universidade (ou voltando), o que eu encontro é boa parte idosos. Eu nunca encontrei isso em nenhuma parte do globo em que eu estive (como se eu fosse muito internacional, né!). Além disso, eu fico num nervoso total, já que leva quase uma hora para chegar ao meu ponto final. Já disse que que motorista na Coreia é pior que sei lá o quê? Pois é... junte isso a ter que esperar 50 minutos em pé me faz ter a sensação de estar numa montanha russa; parece que o sem noção está numa etapa do Rally Paris-Dakar! Sem noção mesmo! Agora, me pergunte o por quê de estar em pé: porque há muitos velhinhos. E eles têm uma preferência para os assentos com status quase de reis, defendida por uns, odiada por outros.
As situações relacionadas a velhinhos e preferência nos banquinhos de lugares públicos são conversas de milhões de rodinhas, especialmente entre os coreanos de geração bem mais nova. O ocidental, a primeira vista, vai pensar que ao ver um coreano se levantar e "oferecer" o seu banco a um idoso, está fazendo uma gentilesa. Não é exaaaaatamente isso o que acontece. Os velhotes sempre vêm com uma historinha pra boi dormir de que passaram já por vários dramas na vida, não têm mais forças nos pés e, portanto, tem mais necessidade de estar sentado ali do que um guri de 15 anos. Não tiro a razão deles. Mas o negócio é que, em vez de pedir, os senhores MANDAM. E se o meninão fez cara ruim e não gostou, não adianta. Vai ter que sair, ou então o vovô vai te xingar até você doar o seu assento. Legal, né? Eu não imagino isso no Brasil, onde eu acho que o respeito às pessoas mais velhas é menor do que na Coreia. Pelo menos, aparentemente.
Têm uns meninos que até fingem estar dormindo para não olharem pro vovô e ele ter que se retirar, mas não tem jeito. Eles te cutucam e já era. Vai ficar com a pernas esticadas por um bom tempo. Haha!

(Ó a "meninada" descendo as montanhas de ônibus público! Lasqueira total!)

Quando eu pego o metrô pra ir pra Seul, é a mesma tristeza. Como têm uma infinidade de velhinhos, eu fico esperando com mais uma pancada deles. Na hora que a porta do metrô abre, é uma selvageria total. Parece que "as portas da esperança" se abriram e todo mundo sai correndo pra "ter o seu lugar ao sol", isto é... um banquinho. Fora os tiozinhos que se acham meninões e não querem sentar nos bancos destinados à terceira idade. Isso é o que me deixa mais "fulo da vida". Têm velhinho que insiste em ser jovem. Têm a merda do banco de velhinho sobrando, sem ninguém, mais o cretino ainda insiste em tomar banco de gente que quer sentar nos lugares possíveis (sim, aqui na Coreia a MAIORIA dos menores de 65 anos respeitam o banquinho para os tiozões no metrô). Imagina a confusão que fica...

Eu não imagino isso daqui uns anos, quando a Coreia simplesmente "parar". Aliás, existe até um filme relacionado ao tema, onde o último menino em toda a terra nasceu há 18 anos. E havia morrido.. não é dos mais interessantes, mas é só pra falar do assunto mesmo. Chama-se "Filhos da Esperança" (Children of Men,2006), com Clive Owen.
Enfim, vai ser um sacode, empurra-empurra que eu nem quero estar aqui pra ver isso acontecer.
Ou então, o governo vai ter que promover uma migração em massa pra cá, tanto dos gyopos (descendentes de coreanos) quanto de pessoas não-coreanas, para que possam fazer mais filhos, gerem uma população economicamente ativa.
Mas pra isso, vai ter que mudar muuuuuuita legislação para aceitação de gringos naturalizados, já que você só pode ser coreano caso algum de seus pais sejam coreanosç além da forma de pensamento (dos coreanos que não querem miscigenação), que é uma coisa cruel da cultura coreana.

Coreanos, por favor, vamos fazer filhos aí, porque eu não estou podendo... afinal, não consigo sustentar nem uma cabeça, quanto mais 3!

Portanto, cambada coreana, comecem a ir nos infinitos MOTEIS que existem Coreia afora... ou então vocês não vão ter mais o que passar para a próxima geração...!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

생일 축하해~

Como pouquíssimos devem saber, hoje é o meu aniversário!
Parabéns pra mim mesmo~
Aêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!

Mas infelizmente cheguei à idade que muitos não desejam, já que têm de decidir se viram machos de verdade: VINTE QUATRO! Hahaha!

Bem, agora, claro, não vou desperdiçar o meu tempo e estou indo pra Seul gastar alguns milhares de Wons!

Abraços aos que ficam...

não se esqueçam de me mandar presentes via SEDEX mesmo!
Eis o Endereço:

노 메 에노호, 페로 노 마메스, 천안시, 충청남도, 대한민국

Dado o recado, estou no aguardo de vários telefonemas do 우체국 coreano me falando para pegar alguma encomenda vinda do Brasil! =)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Música de qualidade

Eu ia abrir um parêntesis no post passado, mas resolvi escrever um outro dedicatório.Queria divulgar uma música que não é das mais novas, mas a letra ainda continua valendo para os dias de hoje em solo coreano.
Há uma cantora chamada Yoon Mi-rae, nascida de pai afro-americano e mãe coreana, que fez um sucesso tremendo, inclusive pela música 검은행복 (Alegria Negra). Com essa música, ela simplesmente tocou numa ferida muito grande da sociedade coreana: a aceitação de pessoas que vem de um mix. Na minha opinião, ela é bem corajosa.. e boa cantora, com ótima voz. Aí está um espelho do sofrimento que os miscigenados passam por conta do que ainda está enraizado na cabeça dos coreanos mais das antigas:


(clipe famoso e um rap muito bom e com letra profunda: Yoon Mi-rae - Black Happiness/윤미래 - 검은 행복)

(com legendas em inglês)

Para a infelicidade tanto dos negros que estão aqui, quanto dos "coreanos-mix" que vivem na Coreia, esta ainda é a realidade da maioria... discriminados pela antiga e nova gerações. A coreanada, na minha opinião, ainda fecha os olhos pra esse tipo de problema, mesmo tendo uns choques morais como faz essa música.
Eu espero, de coração, que um dia isso mude. Afinal, NINGUÉM É PURO AQUI NÃO, CARAMBA! Nem os coreanos! Hahaha!

Galera do K-Pop, estou lhes dando uma dica de músicas e cantores melhores do que as tralhas que vocês estão ouvindo por aí... aceitem isso como um presente! =)

Soldados e uns blá blá blás

Outra coisa que eu tenho tentado não discutir muito aqui, mas que eu escracho nas conversas reais, é o caso dos soldados americanos em terras coreanas, além do bairro típico dessa gente: Itaewon.

Na verdade, o tópico pode ser tido como muito preconceituoso (afinal, eu não sou amigo dessa galera), além de generalizador.
Mas já dizia George Clooney no filme Up in the Air: "I stereotype. It's faster". E como bom seguidor do boa-pinta, eu vou fazer o mesmo: estereotipar. Mas leia com atenção: isso não significa que existam cidadãos americanos, soldados ou não, bacanas na Coreia.

Bem, não sei se a galera que não reside por essas bandas daqui sabe, mas a Coreia do Sul está simplesmente entupida de soldados proveniente daquele país que a gente simplesmente "adora": os USA. A razão de estes seres vivos blindados estarem aqui é (ou deveria ser) somente uma: treinar o exército coreano e ajudá-lo a proteger a República da Coreia de uma possível invasão ou guerra contra um país que tem um certo ditador com instintos um tanto quanto bipolares: a Coreia do Norte. Desde a chegada dos gringos defendendo a bandeira do capitalismo, na época da Guerra da Coreia, eles não sairam mais. Obviamente, os carinhas da terra do Capitão América tem bastante interesse não só na península coreana, como na Ásia como um todo. Tanto que eles mantêm tropas no Japão (em Okinawa, por exemplo).a

(A socialização dos soldados)


O negócio é que, como nenhuma guerra explode (ainda não!) por aqui, os soldados tocam a zona. Pelo serviço militar ser tido como um TRABALHO, obviamente existem regras. Então, durante a semana, seres normais não os vêem. Mas dá uma chegada em Itaewon (이태원) ou na cidadezinha de Pyeongtaek (평택) durante o fim de semana pra você ter uma idéia do que é "tocar o terror", como dizem os brasilienses ao se referirem a bagunça, zona... Parece que essa galera não sabe o que é o fim de semana sem dar um soco na cara de alguém.
Conhece aquela música do Gabriel o Pensador, chamada "Retrato de um Playboy Parte II"? Bem, para os que não conhecem, eu apresento um trechinho:

[...]
Tinha um cara dançando com essa mulhé na boate
Então pensei: "tá na hora do combate"
E falei: "tu pisou no meu pé, meu irmão!"
Ele disse que não; eu dei logo um socão
Ele foi pro hospital e ela veio me dar mole

[...]

E eu não falo isso por aquela velha história "aconteceu com fulaninho que eu conheço", pois isso eu vi bem na minha frente. Estava eu num bar no bairro de Itaewon com uns amigos, enquanto havia o grupo do rapaizinho de folga da farda num canto e um casal de coreanos no balcão do bar, tomando umas. De repente, o cidadão retardado inventa de cantar a namorada do coreano na CARA DELE. O namorado pede pra ele parar, sair de lá e etc, aquela coisa de quem é meio "manso" demais. Mas parece que ele realmente queria caçar uma briguinha naquele dia. Então falou umas merdas, os dois se seguraram e aí partiram pra porrada. Eu fiquei só olhando, porque não estava perto de mim. Mas aí juntaram amigos do soldado, amigos do coreano, os balconistas e virou uma porrada generalizada. Tanto que fecharam o bar quando a briga começou a ficar muito grande, haha!
Essas coisas se tornaram tão constantes, principalmente neste bairro, que o exército americano tem a polícia militar americana que dá uma volta toda santa sexta e sábado pelos bares e boates de Itaewon, além de ficarem dando voltas e mais voltas pelas ruas a pé, atrás de cretinos como esses. É uma gambiarra que deve dar uma apertada nos cintos da galera... pelo menos um pouco.

(Não me assustaria se eu lesse umas coisas dessas... o pior é que isso aí é na Coreia do Sul mesmo, em 2002)


Mas desde esse dia passei a não olhar com bons olhos essa galera marrenta. Aliás, até onde eu sei grande parte da população coreana não aguenta mais essa branquelada com arma andando pela Coreia. Muitos deles (nem tenho como te provar de onde eu tirei isso, viu! Huhu) prefeririam que essas "pragas" não continuassem por essas bandas daqui. O problema é que aí virar um problema generalizado, já que transformam qualquer branco ou negro com cara de americano em soldado, o que faz com que todo mundo odeie o pobre gringo em terras coreanas.
Aí imagine que a bolha começa a ficar maior e maior, já que, na opinião de quem defende uma das maiores fraquezas dos coreanos (racismo), essa galerinha de olho puxado não é (ou não costumava ser) acostumada a ver pessoas de diferentes etnias, especialmente se o cabra é de cor escura.
Só que, de certa forma, mesmo não querendo, os coreanos acabam sendo reféns, pois estão de mãos, pés, cabeça (tudo o que tiver direito) amarrados ao Exército Americano, já que quem tirou daquela baderna toda que era a Coreia foram os EUA. Então não tem como eles se livrarem da "massa branca" em pouco tempo. Um comandante gringo aê até chegou a falar e ir reduzindo o contingente militar durante os próximos anos, mas... acho que nunca vai chegar a zero. Então, a "farra do boi" vai continuar por muito tempo.sd


("Meus comandados não fazem nada de mal na Coreia não!!!")

O pior é que não é só briga que os soldados causam. Como eles são insentos de punição por seus delitos através das leis coreanas (mas, obviamente, devem ter punição militar), muitos deles fazem coisas muito piores, como causar danos materiais dos mais variados possíveis, mortes e, claro, muitos descendentes espalhados Coreia afora. Hahaha! Só que na Coreia, ter um filho "meio gringo" e ainda mãe-solteira não é a melhor coisa do mundo. Tanto que algumas meninas até abortam, se matam ou sei lá o que fazem da vida. Então você vê o estrago que os pirocaflitas acabam fazendo na vida das menininhas que também não são lá das mais inocentes, já que se engraçaram com um cara que sabe que não vai chegar nem a oferecer um green cardzinho pra ela na maioria das vezes... afinal, eles só querem diversão. Imagine a situação: você é um cara sem muito futuro lá num país em que a competição está cada vez mais acirrada, sendo que você não deve ter nem diploma de ensino médio debaixo do braço; seu país te oferece uma boa oportunidade de emprego em outro país só pra dar uns tiros e talvez morrer por umas vidas alheias. Resultado: óbvio que vão... mas não estão pensando em nada para o futuro; afinal, a maioria não tem muita coisa dentro do crânio mesmo.


Falando tudo isso, não estou querendo proteger a Coreia ou sua "etnia pura", mas sim só jogar mais merda no ventilador sobre coisas ruins que rolam na Coreia, tanto das cretinices dos coreanos quanto das bostas que a gringaiada faz por aqui..
Agora que você já sabe porque eu não sou simpatizante dos meninos fardados tão inocentes, podem me atirar quantas pedras vocês quiserem! Haha!

Como fim de post, vou lhes apresentar o PIOR KPOP que eu já pude ouvir em toda a minha vida. Galera, isso faz mal pro cérebro... na boa!
Se vocês falarem que isso é coisa de gente, eu me demito.. mas é só pra acabar com o ouvido de vocês um pouquinho! =)

(T-ara - Bo peep)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bolsa de Mestrado e Doutorado 2010 fresquinho!

Aêêêêêê, cambada de simpatizantes da terra da galera de olhos puxados!
Tenho uma boa notícia para vocês, tarados de plantão...

O Governo coreano resolveu soltar o EDITAL da bolsa para Mestrado e Doutorado, patrocinado pelo mesmo órgão que me patrocina por aqui: o NIIED.

Infelizmente, o pau comeu pra vocês, queridos compatriotas. O negócio está ficando cada vez mais concorrido para a brasileirada. A coreanada resolveu apoiar um só brasuca para vir aqui pra terrinha, para a infelicidade de vocês. Então, eu presumo que vocês vão ter que ralar. E MUITO (ou não)! O pior é que vão ter que ralar em tempo recorde (ou não), já que o prazo final, de acordo com esse Guia, é dia 22 de Maio. Vôa, rapaziada!

Para os(as) tarados(as) interessados(as) em dar uma espiada, favor clicar aqui.
Como de costume, só responderei perguntas que não sejam muito estilo "burrito". Eu não li tudo, mas eu espero que o povo que redigiu esse guideline tenha sido claro em quase tudo.
Ah, não me pergunte sobre a documentação, porque ela está bem esquisita (isto é, diferente da que eu recebi quando apliquei). Sim, vocês devem enviar a embaixada (ou consulado) da Coreia todos os documentos que são pedidos aí... até os de saúde!

Para demais informações, contate a Embaixada da Coreia em Brasília ou o Consulado Geral, em São Paulo.

Sorte a galera interessada!

PS:
1. Se você ainda é estudante do ensino médio ou ainda está falta mais de um ano para se formar na faculdade, por favor pense bem antes de querer mandar algum email com perguntas.
2. Se você é um(a) tarado(a) por coreanas(os) e K-Pop, saiba que a Coreia do Sul é um pouco mais que isso. No bom e no mal sentido. Então, não queira se arrepender de uma decisão precipitada por causa de viadagens dessa natureza. Pense bem.