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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A Fama

Eu já contei várias vezes aqui no blog, ainda mais explicitamente há dois posts atrás, sobre a minha "lindeza" aqui na Coreia do Sul.
Não é de hoje que ouço de colegiais, "amigas" coreanas, tiazinhas (as tais 아줌마), tiozinhos e até mesmo de homens que eu sou um cara pinta (em outras palavras, bonito). Quando não sou elogiado diretamente, ocorre através da menção ao tamanho da minha cabeça, que não deixa de ser um elogio, já que TODOS os coreanos dizem me invejar por ter uma cabeça tão pequena. Como não adianta explicar que a minha capacidade intelectual, portanto, deve ser menor, então eu deixo quieto e só aumento o meu ego cada vez mais.
Por conta disso, estou até ficando "famoso"!

Como todos sabem, eu (e mais uma pancada de amigos: Henrique, Agatha, Ivonne, Cláudia, Jamali...) estava participando de uma atividade voluntária patrocinada por um órgão do governo sul-coreano que trabalha na divulgação da imagem da Coreia do Sul no mundo. Apesar de não ganhar um dindin bom para ficar falando abobrinhas sobre o país em que vivo, muitos dos meus momentos públicos foram graças ao PCNB.
Certo dia, eu recebi um e-mail de um ser vivo que vou denominar Chiquinha. Essa mulher é uma coreana que trabalha para o canal KTV (한국정책방송), uma espécie de TV Brasil da Coreia do Sul (isto é, TV pública). A senhorita Chiquinha queria fazer uma entrevista comigo, porque há um programa chamado "Upgrade Korea" (업그레이드 코리아), que aborda várias coisas estranhas sobre o país.
Nesse episódio, a bola da vez era gringos que vivem aqui e escrevem blogs e tal. Queriam mostrar a vida de um, além de pedir para que ele falasse tudo o que ele gosta na Coreia.

Aliás, se tem uma coisa na Coreia que eu odeio é essa "animalização" do estrangeiro. Na boa, beleza que nós, gringos, somos minoria num país tão "homogêneo", mas não precisa fazer de nós seres extra-terrestres. Eu estou cansado de ver pessoas cochichando, me olhando de maneira diferente e etc. No começo é muito legal, porque você se sente mó estrelinha, centro das atenções e tal, mas depois chega a ser muito CHATO. De muitas formas, os coreanos às vezes me fazem sentir como se eu fosse um animal em um zoológico, e a platéia olhando, rindo, se divertindo porque eu sou algo "raro", "diferente" ou sei lá o que eles pensem sobre mim. Se eu não falo coreano, é ruim. Se eu falo, é pior. Então eu ainda estou em fase de apertar o botão FODA-SE pra essas coisas, mas ainda assim é um pouquinho difícil.

Continuando, me contataram pra fazer essa entrevista e tudo em coreano; portanto, já estava prevendo algum desastre no dia. Só que o desastre começou um pouco cedo. Eu tinha que levantar um pouco cedo pra ir pra Seul, onde eu encontraria os malucos da gravação. Como eu estava crente que eu ia receber um cachê ($$) para participar dessa praga, eu fui de ônibus, que é um pouquinho mais caro que ir de metrô, mas que demora metade do tempo para chegar lá. Na estação de ônibus da minha cidade, já pedi um ticket pra Seul. Só que a anta aqui não sabia (ou se esqueceu) que há duas estações diferentes em Seul. Portanto, eu teria que saber qual eu deveria descer. Mas como eu não sabia que 동서울 (Seul-Leste) não era exatamente o mesmo lugar que eu queria descer, só paguei e entrei. Quando estava passando da hora de se encontrar, os caras me ligam, mas eu achava que era o engarrafamento que atrasou a parada. Mas não! Simplesmente eu estava indo lá pro outro canto da cidade, bem longinho. Deu pra ver, então, que eu já tinha amanhecido com o pé esquerdo. A Chiquinha me ligou novamente, marcando, então, outro lugar para nos encontrarmos. Estando na  estação de Jamsil (잠실역), os dois responsáveis pela gravação me encontraram e marchamos rumo ao Seoul Design Olympics 2009, um evento de design que reunia projetos de empresas e universidades lá num estádio de Baseball. O planejamento da entrevista era:
1.ir para esse  evento, dar minhas opiniões, tirar umas fotos por lá (já que era uma entrevista falando sobre blog)


(O Estádio de Baseball reformulado para o evento)

2. Jantar em um restaurante que vende frutos do mar


(Topa um bixinho desse? Eu não aguento não!)

3. Visitar a minha casa, em Cheonan


(Durante a filmagem aqui em casa, fingindo que estava escrevendo)

A parte mais engraçada foi quando eu perdi a minha câmera no evento e o cara ficou desesperado, porque ele queria me filmar tirando fotos da exposição, da lula viva que eu ia comer... então, ficamos meia hora procurando, fomos no Achados & Perdidos, fizemos mó auê. No final, ele me fez ligar pro "cidadão" que devolveu minha câmera pro A&P! Foi comédia!


(Entrevista - Parte 1)


(Entrevista - Parte 2)


(Entrevista - Parte 3)

Durante as gravações, eu perguntei  pra Chiquinha "como" e "porque" eu havia sido escolhido para ser o "Gringo da Vez".
O "como" foi por causa do PCNB. Eles entraram em contato com o governo e o pessoal lá de dentro me indicaram. O "porque" foi o mais ... bizarro, afinal, quem deveria ser indicado era, por exemplo, o Henrique, que tem um blog mais bem escrito e com mais visitantes. Mas adivinha a razão: PORQUE EU SOU MUITO BONITO!
Haha! Naquela hora eu quase rolei no chão de tanto rir, afinal... tá ficando já meio praxe esse negócio de eu ser o Reynaldo Gianecchini da Coreia.


(Minhas fãs querendo tirar foto comigo, celebridade instantânea, durante o Seoul Design Olympics ^^)

Por causa dessa entrevista, eu recebi uma proposta por email de um jornal furrequento (não é nem um pouco conhecido por aqui) para entrevista online mesmo, por email. A senhorita me mandou umas perguntas e eu respondi, com fotos e tal. Só elogios, pra variar.


(Fotos do Jornal "Tabloid", com a minha entrevista)

Não é só na mídia que eu sou famoso, mas nas ruas também.
Quando eu estive na China, aconteceu uma coisa MUITO engraçada. Chega a ser bizarro o fato de eu ser considerado bonito na Ásia. A minha fama foi até o berço das maiores invenções da história!
Eu estava do lado daquele Cubo D'Água (Lugar de natação, onde foram realizados os Jogos Olímpicos), em Beijing, e queria sacar uma grana urgente. Mas como não via nenhum banco HSBC ou internacional perto de mim, eu resolvi perguntar pra uma guria que atendia na cabine do centro de informações. Perguntei em inglês, ela respondeu bonitinho (apesar de negativamente - não existia banco perto de onde eu estava) e depois foi a vez dela de me perguntar: "POSSO TIRAR UMA FOTO COM VOCÊ!?"
Como eu já estava meio curado dessa situação, eu nem estranhei MUITO. Mas é engraçado se achar um Brad Pitt por aqui! ^^

Pela Coreia ter "aberto suas portas" para a gringaiada não faz muito tempo, então aos olhos coreanos tudo é muito novo. Gringo ainda é um ser de outro planeta, diferente, bonito...
Tem um cara que até virou celebridade aqui: Julian Quintart. Esse retardado chegou aqui pra fazer intercâmbio uns anos atrás (2004). Como deve ter passado o rodo em todas as coreanas pelo seu looking de "lindo, tesão, bonito e gostosão", voltou pra viver. Aprendeu coreano (muito bem) e hoje trabalha por aqui, celebridade total, participando de filmes e novelas coreanas (fonte: Korea Times).


(Foto: Julian Quintart - és um viadinho, mesmo)

Viu como é fácil ser famoso na Ásia? Só precisa não ter olho puxado, cabeça pequena e olhos grandes! ^^
Dada a fórmula do sucesso, um dia, quem sabe, eu chego onde o Julian está!Haha!